• Joaquim Gaspar

Chart of the Week | Carte Pisane, anonymous, circa 1270



Author | Autor Anonymous

Date | Data c. 1270

Country | País Italy

Archive | Arquivo Bibliothèque nationale de France

Call number | Número Catálogo GE B-1118 (RES)

Dimensions | Dimensões 1030 X 480 mm

Medea Database Entry | Entrada Base de Dados Medea


An old parchment is kept at the French National Library containing the earliest known nautical chart to have survived to the present day, the Carte Pisane (Pisan Chart). It represents the Mediterranean Sea and the western half of the Black Sea (now only partly visible because of damage), as well as the northwest coast of Europe and the southern part of Britain. The image of Britain and the north coast of Europe is sketchy, lacks detail and offers a density of the place names much lower than that of the Mediterranean.


The precise date when it was drawn, and the process used in its construction are mysteries still waiting to be unveiled. A recent radiocarbon dating of the parchment indicates the interval 1170-1270 (95% confidence) for the death of the animal whose skin was used to prepare the chart. The analysis of the cartographic content further indicates that the chart could not have been completed before c. 1265.


Another matter that has intrigued the historians is its extraordinary accuracy and detail, when compared with the schematic religion-inspired cartography of the time. Contrary to popular interpretation, this does not mean that the Carte Pisane is accurate by present-day standards. In fact, the accuracy of portolan charts in general can be no better than the one associated with the navigational methods of the time, which were based on compass directions and estimated distances. Rather than being the first of its kind, the Carte Pisane is believed to be the result of a long period of development that has left no known material evidence and may have extended to near the beginning of the 13th century, when the marine compass was already in use and the first prototypes based on compass directions were likely created.


That the Carte Pisane was meant to function as a navigational tool is clearly reflected in its content and design solutions. Firstly, in the way coastal place names are written inland and perpendicularly to the coastlines, giving details of the maritime space the possibility of being rendered legibly and without obstruction. Secondly, in the representation of a dense mesh of direction lines irradiating from two sets of sixteen points regularly disposed around two circles (one centered near Sardinia and the other in the Aegean Sea) , whose orientations relative to North are coded with conventionalised colours. This mesh is complemented by a diamond-shaped grid outside the two circles which indicate the northeast-southwest and northwest-southeast directions. Together with two graphical scales of distance graduated in miles, one in the neck of the parchment and the other west of the Black Sea, these lines were used by the pilots to plan their routes and measure courses and distances between places. Finally, the marine space is graphically annotated with dots, crosses, and other symbols signifying navigational hazards, both real and imaginary.


Português

Encontra-se guardado na Biblioteca Nacional de França um velho pergaminho contendo a mais antiga carta náutica conhecida que chegou aos nossos dias, a Carte Pisane (Carta Pisana). A carta representa o Mediterrâneo e a parte ocidental do Mar Negro (só parcialmente visível devido a um buraco no pergaminho), e também a costa noroeste da Europa e a parte sul da Grã-Bretanha. A imagem da Grã-Bretanha e da costa norte da Europa é rudimentar, falta-lhe pormenor e a densidade dos nomes geográficos é muito menor do que no Mediterrâneo.

A data exacta em que a carta foi desenhada, bem como o processo usado na sua construção, são ainda mistérios por resolver. Uma recente datação do pergaminho por Carbono-14 indicou que o animal cuja pele foi usada na sua preparação morreu no período 1170-1270 (95% de confiança). Por outro lado, deduz-se da análise do conteúdo cartográfico que a carta não poderá ter sido completada antes de c. 1265.


Uma outra questão que tem intrigado os historiadores é a sua extraordinária exactidão e pormenor, quando comparada com a da cartografia esquemática da época, inspirada em motivos religiosos. Contrariamente a uma interpretação popular, tal não significa que a carta seja exacta segundo os parâmetros actuais. De facto, a exactidão das cartas portolano, em geral, não poderia ser superior à dos métodos contemporâneos de navegação, baseados nas direcções da bússola marítima e em distância estimadas. Sabemos que a Carte Pisane não foi a primeira do seu género, mas sim o resultado de um longo período de desenvolvimento que não deixou quaisquer vestígios materiais e que se pode ter estendido até ao início do século XIII, quando a bússola marítima já era utilizada e os primeiros protótipos baseados em direcções da bússola teriam sido desenvolvidos.


O facto de a Carte Pisane ter sido concebida como instrumento de navegação é comprovado pelo seu conteúdo e soluções gráficas. Em primeiro lugar, pela forma como os nomes geográficos foram registados em terra, perpendicularmente à linha de costa, de forma a não afectar a legibilidade das zonas marítimas. Em segundo lugar, pela existência de uma densa trama de linhas de rumo que irradiam de dois conjuntos de dezasseis pontos dispostos regularmente sobre duas circunferências (uma centrada na Sardenha e outra no Mar Egeu), cujas orientações relativamente ao Norte estão codificadas através de cores convencionais. Esta trama é complementada por uma malha de losangos que cobre as áreas exteriores aos círculos e indicam as direcções nordeste-sudoeste e noroeste-sueste. Em conjunto com duas escalas de distância graduadas em milhas, uma no pescoço do pergaminho e outra a oeste do Mar Negro, estas linhas eram utilizadas pelos pilotos para planear as rotas e medir rumos e distâncias entre lugares. Finalmente, o espaço marítimo é assinalado com pontos, cruzes e outros símbolos que representam perigos para a navegação, reais e imaginários.


Further reading | Leitura complementar

  • Tony Campbell, ‘Portolan charts from the late thirteenth century to 1500’, in The History of Cartography, vol. 1: Cartography in Prehistoric, Ancient, and Medieval Europe and the Mediterranean (Chicago, University of Chicago Press, 1987), 371–463.

  • Ramón Pujades i Bataller, Les cartes portolanes: la representació medieval d’una mar solcada (Barcelona, Institut Cartogràfic de Catalunya, 2007).

  • Joaquim Alves Gaspar, ‘The Liber de existencia riveriarum (c.1200) and the Birth of Nautical Cartography’, Imago Mundi, 71:1 (2019), 1-21, DOI: 10.1080/03085694.2019.1529898.

  • Tony Campbell, ‘A detailed reassessment of the Carte Pisane: A late and inferior copy, or the lone survivor from the portolan charts' formative period?’ (source)


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Pietro Vesconte

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