• Bruno Almeida

Chart of the Week | [Sebastião Lopes], c. 1580, Portugal


Author | Autor [Sebastião Lopes]

Date | Data c. 1580

Country | País Portugal Archive | Arquivo Public Library and Archive, Évora (Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora)

Call number | Número de Catálogo Livro 22, Cartório Notarial de Monsaraz

Dimensions | Dimensão unavailable | indisponível

Medea DB Entry | Entrada Medea DB



Finding unidentified and undamaged nautical charts is a rare occurrence. More often, fragments of maps resurface, usually after being identified by the archives as book covers or as binding loose documents. Often, when these happy events do occur, the fragments are unsigned and dateless. Therefore, attributing an origin and an author to the chart can be challenging for researchers. The present fragment was found in similar circumstances in Monsaraz, in a branch of the Public Library and Archive of Évora, Portugal.


The fragment shows the southwest Indian Ocean, from 17º S to 48º S, and from about 30º E to 60º E. It depicts the south half of São Lourenço Island (Madagascar) and a portion of Southeast Africa, that is, the coast of Natal up to Sofala, Mozambique. Some islands, both real and imaginary, near Madagascar are represented.


Two cartographic elements are visible: a wind rose and a scale of leagues. The portion of the chart with the latitude scale was trimmed, and the segment that has remained is considerably damaged. A trimmed coat of arms of the Portuguese crown is also shown inland in Africa. On the lower left corner there is an almost indistinguishable second wind rose and a third one, also trimmed and almost vanished, is in the middle of the right side of the chart. Below the line of the Tropic of Capricorn, at 23º30’ S, we can still read “TRO” from the original Portuguese word “Trópico”. On the top left corner, we can also spot the remainder of a flagpole pointing to “Çofala” (Sofala).


The fragment was examined by Joaquim Alves Gaspar and Bruno Almeida by identifying the above elements and finding matches with the charts and atlases in the Portugaliae Monumenta Cartographica and the MEDEA-Chart Database. The calligraphy, placenames, and the style of drawing and the embellishing of the coast lines were also studied. An author emerged, with a high degree of confidence: Sebastião Lopes.


Not much is known about the life of this Portuguese cartographer. Although a half-dozen charts and an atlas are attributed to him, the only signed chart (kept in the British Library) is dated 1558. He was possibly in his twenties at the time. Later, in 1596, there was an official document informing that another cartographer was assigned to do his official tasks, which may mean that Lopes died around that time.


The chart that was key in allowing a positive identification of the author, and also ascribing a possible date to the fragment, is the beautiful planisphere known as the Carte du Dépôt (kept in the Bibliothèque Nationale de France), made around 1583. In fact, the drawing style of all the identified elements in the fragment matches those of the planisphere, although there are some minor differences in the toponomy and placement of the wind roses. This resemblance does not mean the charts covered the same geographical areas: when comparing the visible limits of both charts – the Carte du Dépôt is a large chart with latitude going down to 65º S – it is almost sure that the fragment belonged to a chart that covered a smaller area than its 1583 counterpart.


Versão Portuguesa


Encontrar cartas de navegar não identificadas e não danificadas é uma ocorrência rara. Por vezes localizam-se alguns fragmentos de mapas, geralmente após serem identificados pelos arquivos servindo de capas de livros ou a encadernar documentação solta. Quando esses afortunados eventos ocorrem é comum os fragmentos não se encontram assinados nem datados. Portanto, atribuir uma origem e um autor a uma carta de navegar é um desafio para os investigadores. O presente fragmento foi encontrado em circunstâncias semelhantes em Monsaraz, numa sucursal da Biblioteca Pública e Arquivo de Évora, Portugal.


O fragmento mostra uma parte do sudoeste do Oceano Índico, de 17º S a 48º S, e de cerca de 30º E a 60º E. Aí se encontra a metade sul da Ilha de São Lourenço (Madagáscar) e uma parte do Sudeste de África, ou seja, da costa do Natal até Sofala, Moçambique. Algumas ilhas, reais e imaginárias, perto de Madagáscar também estão representadas.


Dois outros elementos cartográficos são visíveis: uma rosa-dos-ventos e uma escala de léguas. Do lado direito da carta, a escala de latitudes foi cortada e o segmento que sobrou está consideravelmente danificado. Um brasão da coroa portuguesa aparece cortado no interior de África. No canto inferior esquerdo há uma segunda rosa dos ventos quase indistinguível, e uma terceira, também cortada e quase imperceptível, está a meio do lado direito da carta. Abaixo da linha do Trópico de Capricórnio, a 23º30’ S, ainda podemos ler “TRO” da palavra original em português “Trópico”. No canto superior esquerdo, pode-se avistar o resto de um mastro a apontar para “Çofala” (Sofala).


O fragmento foi examinado por Joaquim Alves Gaspar e Bruno Almeida através da identificação dos elementos anteriores e da procura de correspondências com cartas e atlas presentes nos Portugaliae Monumenta Cartographica e listados na Base de Dados MEDEA-Chart. A caligrafia, a toponímia, o estilo de desenho e o embelezamento das linhas costeiras também foram analisadas. Com um elevado grau de confiança, chegou-se a um nome para o autor: Sebastião Lopes.


Não se sabe muito sobre a vida deste cartógrafo português. Apesar de lhe serem atribuídos meia dúzia de cartas e um atlas, a única carta assinada por ele (mantida na British Library) é datada de 1558, sendo possível extrapolar que, nessa altura, tivesse entre vinte e trinta anos de idade. A partir de um documento de 1596, sabe-se que outro cartógrafo foi designado para levar a cabo as tarefas oficiais de Sebastião Lopes, o que pode significar que teria falecido próximo dessa data.


O mapa que foi fundamental para identificar o autor, e também atribuir uma possível data ao fragmento, foi o magnífico planisfério conhecido como Carte du Dépôt (mantido na Bibliothèque Nationale de France), feito por volta de 1583. Com efeito, o estilo dos desenhos de todos os elementos identificados no fragmento corresponde aos do planisfério, embora se registem algumas pequenas diferenças na toponímia e localização das rosas dos ventos. Esta semelhança não significa que as cartas cobrissem as mesmas áreas geográficas: a comparação dos limites visíveis de ambos os mapas - a Carte du Dépôt é uma carta de dimensões consideráveis, em que a latitude vai até 65º S - sugere que a carta de onde sobrou o fragmento cobria menos área do que o planisfério de 1583.


Further reading | Leitura Complementar

  • Cortesão A., & Teixeira da Mota, A. (1960) Portugaliae Monumenta Cartographica, Vol. IV. Lisboa: Comissão para a Comemoração do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique [facsimile Editions, 1987]

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Caverio Planisphere
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Pietro Vesconte
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