• Sima Krtalic

Anonymous fragment showing the eastern Mediterranean and part of the Black Sea [ca. 1350]


Author | Autor Anonymous

Date | Data [ca. 1350]

Country | País [Spain (Catalan)]

Archive | Arquivo Biblioteca Apostolica Vaticana

Call number | Número de Catálogo Vat.lat.14207

Dimensions | Dimensões 305 mm x 360 mm

Medea DB Entry | Entrada Medea BD


This fragment depicting the Aegean Sea and part of the eastern Mediterranean and Black Seas is believed to be one of the oldest surviving examples of Catalan cartography. While its condition is poor, the chart nonetheless offers several clues to its interesting history. Ramon Pujades dates the chart to the mid-14th century and proposes as its author Guillem Canterelles, a compass-maker working in Majorca from 1353-62. The chevron-patterned border on the chart, however, is more characteristic of Ligurian production, and was a staple of the celebrated Vesconte workshop (see, for example, the 1311 chart of Pietro Vesconte, and this anonymous Italian 14th or 15th century atlas). Its presence here may mean that this type of decoration enjoyed popularity outside of Genoa, or reflects the mapmaker’s exposure to Ligurian cartography.


At the top of the chart is an inscription in Greek, reading: το βίβλιον τούτο ἐστι ἐμοῦ ἰωάννου στεφανου ἐπισκόπου βονονίας (this book belongs to me Ioannes Stefanos Bishop of Bononia [i.e. Bologna]). With this information, we can identify one early owner of the chart: Giovanni Stefano (also called Gianstefano) Ferrero (1474-1510), bishop of Bologna in the first years of the 16th century. The book to which the inscription refers is a collection of 12th- to 14th-century catenas in Greek (a genre of theological literature with texts of Church fathers) (Vat.gr.1802) that was also owned by Ferrero, perhaps explaining the bishop’s choice of language. Tears along the chart’s western edge, corresponding in number and spacing to the bands joining the gatherings of the catenas, show that it was folded along its north-south axis and physically integrated into this book, perhaps as a stand-alone bifolium. The western half of the sheet has been lost. The chart’s verso bears another note in Greek, unfortunately illegible.


It is uncertain how, sometime during the 14th or 15th century, this almost unadorned nautical chart found its way into such an erudite volume. It is clear, though, that the catena book (together with the chart) became part of the Vatican libraries only a century or so after Ferrero acquired it. There, the book was given new coverboards in red leather stamped with bees (signifying the Barberini family), and the crests of Pope Urban VIII (born Maffeo Barberini, pontiff from 1623 to 1644) and Scipio Cobelluzzi (chief archivist of the Vatican Secret Archives from 1618 to 1626). The “stowaway” chart was removed from the book of catenas sometime before 1944, and it was given its own binding by Vatican Library conservators in 1963. Judging by the swaths of discolored parchment in the areas near some coastlines (an effect particularly pronounced around northern Africa), attempts may have been made to restore the legibility of this chart by means of chemical reagents. Noninvasive techniques with the same objectives seem warranted in the case of this artefact. While traces of red compass lines are visible, not a single red placename can be seen (or read) on this important chart.


My thanks to Juan Acevedo for his assistance deciphering the Greek inscription on this chart.


Versão portuguesa

Este fragmento, que representa o Mar Egeu e parte do leste do Mediterrâneo e do Mar Negro, é considerado um dos exemplos mais antigos de cartografia catalã. Embora esteja em mau estado de conservação, a carta náutica oferece, no entanto, várias pistas acerca da sua interessante história. O investigador Ramon Pujades datou-a de meados do século XIV e propôs como seu autor Guillem Canterelles, um fabricante de bússolas que trabalhou em Maiorca entre 1353-62. A cercadura em zig-zag que ostenta é, no entanto, mais característica da produção da Ligúria e foi típica da célebre oficina de Vesconte (ver, por exemplo, a carta de 1311 de Pietro Vesconte e este atlas italiano anónimo do século XIV ou XV). A sua presença pode significar que este tipo de decoração tinha uma certa popularidade fora de Génova, ou então reflete a exposição do cartógrafo à cartografia da Ligúria.


No topo da carta encontra-se uma inscrição em grego, onde se lê: το βίβλιον τούτο ἐστι ἐμοῦ ἰωάννου στεφανου ἐπισκόπου βονονία (este livro pertence a mim, Ioannes Stefanos, bispo de Bolonha)). Com esta informação, podemos identificar um dos primeiros proprietários da carta: Giovanni Stefano (também denominado Gianstefano) Ferrero (1474-1510), bispo de Bolonha nos primeiros anos do século XVI. O livro a que a inscrição se refere é uma coleção de catenas em grego (um género de literatura teológica com textos de padres da Igreja) dos séculos XII a XIV (Vat.gr. 1802) que também pertencia a Ferrero, o que talvez explica a escolha de idioma do bispo. Os rasgos existentes ao longo da borda oeste da carta, correspondendo em número e espaçamento às faixas que unem as junções das catenas, mostram que terá sido dobrado ao longo do seu eixo norte-sul e fisicamente integrado neste livro, talvez como um bifólio autónomo. A metade oeste da folha foi perdida. Note-se ainda que o verso da carta traz outra nota em grego, infelizmente ilegível.


É incerto como, em algum momento durante os séculos XIV ou XV, esta carta náutica, quase sem adornos, foi parar a um volume tão erudito. É claro, porém, que o livro de catenas (acompanhado da carta náutica) se tornou parte das bibliotecas do Vaticano aproximadamente um século após a aquisição de Ferrero. No Vaticano, o livro recebeu novas capas em couro vermelho estampado, com abelhas (significando a família Barberini), e os brasões do Papa Urbano VIII (nascido Maffeo Barberini, pontífice de 1623 a 1644) e Scipio Cobelluzzi (arquivista-chefe dos Arquivos Secretos do Vaticano, de 1618 a 1626). A carta foi removida do livro das catenas algum tempo antes de 1944 e recebeu a sua própria encadernação pelos conservadores da Biblioteca do Vaticano, em 1963. A julgar pelas faixas de pergaminho descolorido nas áreas em redor de algumas linhas de costa (um efeito particularmente pronunciado no norte África), poderão ter havido tentativas para restaurar a legibilidade da carta por meio de reagentes químicos. Técnicas não-invasivas com os mesmos objetivos pareceriam mais apropriadas no caso deste artefato. Embora traços de linhas de rumo vermelhas sejam visíveis, nenhum nome geográfico a vermelho pode ser visto (ou lido) nesta carta tão importante.


O meu agradecimento a Juan Acevedo pela assistência na compreensão da inscrição em Grego existente nesta carta.


Further Reading | Leitura complementar

  • Almagià, R. (1944). Monumenta cartographica vaticana, vol. I. Biblioteca Apostolica Vaticana, Citta del Vaticano.

  • Pastor, J. R., & Camarero, E. G. (1960). La cartografía mallorquina. Instituto Luis Vives.

  • Pujades, R. J. (2007). Les cartes portolanes: La representació medieval d’una mar solcada. Barcelona, Lunwerg Editores.

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