• Joaquim Gaspar

Chart of the Week | Anonymous [Jaume Olives], 1550-60


Author| Autor anonymous [Jaume Olives]

Date | Data 1550-1560

Country | País [Spain]

Archive | Arquivo Santa Casa da Misericórdia de Castelo de Vide (conserved in Torre do Tombo, Lisboa)

Call number | Número de Catálogo ca-PT-SCMCV

Medea DB Entry | Entrada Medea DB


Two fragments of a richly decorated manuscript portolan chart are preserved in the National Archives of Torre do Tombo, in Lisbon, representing the Mediterranean and the Black Sea, separated by a missing narrow vertical strip at about the longitude of the eastern part of the Gulf of Sidra. The chart is otherwise in good condition, with most of the place names still legible. Its coastlines, as well as several of its miniatures, were illuminated using powdered gold, a fact which can only be appreciated when light shines onto the parchment. The chart is a rarity in the Portuguese archives, since very little non-Portuguese manuscript cartography of this period is kept in Portugal. This circumstance, combined with the presence of some names of islands and cities written in Portuguese, in a script and colour not too different from those along the coasts (e.g., Menorca, Serdenha, Geonoua, Chipre), fooled the first historian who examined the manuscript into thinking that it was a Portuguese production of the fifteenth century. Whether these names were later additions is uncertain.


In reality, this chart reflects sixteenth-century Catalan/Majorcan cartographical tendencies. It includes inland embellishments frequently encountered in Catalan maps, such as: numerous city vignettes, each identified by a flag; figures of sitting monarchs of Europe, Africa, and the Middle East, some wielding a scepter or a sword; decorated tents; and two African animals, a dromedary and an elephant. One curious feature, seen on several flags, scepters, and at the hearts of the compass roses, is the unexpected use of what appears to be black paint. Peeking out from beneath these zones is a layer of red, suggestive of the use of bole, a material laid down prior to the application of gold or silver. A reasonable hypothesis is that these regions were originally painted in powdered silver, which has subsequently tarnished.


The style of this chart links, among the Catalan cartographers of the sixteenth century, to the brothers Jaume and Bartolomeo Olives, who flourished around the middle of the century. A careful comparison of the calligraphy and decorative elements on this chart and on works signed by the two brothers suggests that it was drawn by Jaume, probably between 1550 and 1560. Some of the most salient aspects the chart shares with Jaume Olives’s works are the design of the compass roses, with initials of the winds, the characteristic depiction of Genoa, and the uncoloured Red Sea, as in the 1559 chart kept at the British Library. We may also note that the tents in this chart are capped with nested multicoloured triangles and given a scalloped edge, as in the 1563 chart kept at the Museo Correr. Likewise, the cartographer’s default way of drafting a generic castle, with a sort of pentagonal prism surrounded by towers, is met in several other of Olives’s productions. Finally, the puzzling blackened aspect of some of the chart’s elements discussed above is also present on several of Jaume Olives’s works, such as the atlas kept at the Municipal Library of Le Havre, which shows the same apparent layering of black-over-red at the heart of its compass rose.


Nothing is known about Jaume Olives except for the information provided by his signed works, from which we learn that he worked in various Mediterranean cities: Marseille, Messina, Naples and Barcelona. An attractive theory put forth by Adolf Erik Nordenskjöld is that Jaume – like other members of his family – was probably a skipper who drew nautical charts during his free time, as an extra source of income.


Versão Portuguesa

Encontram-se conservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, dois fragmentos ricamente decorados de uma carta portolano, representando o Mediterrâneo e o Mar Negro, separados por uma estreita faixa vertical na longitude aproximada da parte oriental do Golfo de Sidra. A carta encontra-se, contudo, em boas condições e a maioria dos nomes geográficos são ainda legíveis. As linhas de costa, tal como muitas das miniaturas, foram iluminadas com ouro em pó, o que só pode ser apreciado quando a luz incide sobre o pergaminho. A carta constitui uma raridade nos arquivos nacionais, uma vez que muito poucas cartas manuscritas não-portuguesas deste período estão conservadas no nosso país. Esta circunstância, combinada com a presença de alguns nomes geográficos de ilhas e cidades escritos em português, num tipo de letra e cor não muito diferente dos que são utilizado nos nomes ao longo da costa (e.g. Menora, Serdenha, Geonoua, Chipre), levou o primeiro historiador que examinou o manuscrito a concluir, erradamente, que se tratava de uma produção portuguesa do século XV. Desconhece-se se estes nomes foram acrescentados numa data posterior ou não.


Na realidade, esta carta reflecte as tendências da cartografia catalano/maiorquina do século XVI, com um tipo de ornamentação que se encontra frequentemente em cartas catalãs da época, como por exemplo: numerosas vinhetas de cidades, cada uma identificada com uma bandeira; figuras de monarcas sentados da Europa, Africa e Médio Orientes, alguns empunhando um ceptro ou uma espada; tendas decoradas; e dois animais africanos, um dromedário e um elefante. Um aspecto curioso de muitas bandeiras, ceptros e centros das rosas dos ventos, é o inesperado uso do que parece ser tinta preta. Por debaixo destas zonas encontra-se uma camada vermelha, sugerindo o uso de um substracto de argila, prévio à aplicação do ouro ou prata. Uma explicação razoável é que estas regiões foram originalmente pintadas com prata em pó, a qual se degradou posteriormente.


De entre os cartógrafos catalães dos anos de 1500, o estilo desta carta reflecte o dos irmãos Jaume e Bartolomeo Olives, que estiveram activos em meados do século XVI. A comparação cuidadosa da caligrafia e elementos decorativos com os dos trabalhos assinados pelos dois irmãos mais sugere que esta terá sido desenhada por Jaume, provavelmente entre 1550 e 1560. Alguns dos aspectos mais salientes que a carta partilha com os trabalhos de Jaume Olives são o desenho das rosas-dos-ventos, com as iniciais dos nomes dos ventos, a representação característica de Génova e um Mar Vermelho não colorido, tal como na carta de 1559 conservada na Biblioteca Britânica. Repare-se também como as tendas representadas nesta carta estão cobertas por um padrão de triângulos coloridos e apresentam uma borda recortada, tal como na carta de 1563 do Museu Correr. Da mesma forma, o modo como o cartógrafo representou genericamente os castelos, através de uma espécie de prisma pentagonal rodeado de torres, é partilhada com muitos outros trabalhos de Jaume. Finalmente, o intrigante aspecto enegrecido de alguns dos elementos decorativos está também presente em várias outras cartas de Jaume Olives, tal como no atlas conservado na Biblioteca Municipal do Havre, no qual se nota a mesma justaposição de uma camada negra sobre uma vermelha, na zona central das suas rosas-dos-ventos.


Nada se conhece sobre a vida de Jaume Olives, para além da informação que é fornecida pelas cartas que assinou, através da qual sabemos que trabalhou em várias cidades do Mediterrâneo: Marselha, Messina, Nápoles e Barcelona. Uma atraente teoria de Adolf Erik Nordenskjöld é a de que Jaume – como outros elementos da sua família – foi um comandante de navios que desenhou cartas náuticas durante o tempo livre, como fonte suplementar de rendimento.


Text authorship | Autores do texto Joaquim Gaspar, Sima Krtalic


Further reading | Leitura complementar

  • Nordenskjöld, Adolf Erik. Periplus. An Essay on the Early History of Charts and Sailing Directions. Translated from the Swedish by Francis A. Bather (New York: Burt Franklin, 1967) [Original edition, 1897], 65.

  • Astengo, Corradino. ‘The Renaissance Chart Tradition in the Mediterranean’, The History of Cartography 3.part 1 (2007): 174-263.

  • Araújo, R., Nabais, P., Cardoso, I. P., Casanova, C., Lemos, A., & Melo, M. J. (2018). ‘Silver paints in medieval manuscripts: a first molecular survey into their degradation’. Heritage Science, 6 (1), 1-13.

  • Marques, Alfredo Pinheiro, ‘Portolan Fragments Found in Portugal’. Map Collector 65 (1993): 42-44.

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