• Joaquim Gaspar

Chart of the Week | Anonymous Portuguese chart, after c. 1471


Author | Autor Anonymous (anónimo)

Date | Data After (após) 1471

Country | País Portugal

Archive | Arquivo Biblioteca Estense Universitaria

Call Number | Número de catálogo C.G.A.5.C

Dimensions | Dimensões 617 x 732 mm

Meda-Chart DB entry | Entrada Medea-Chart BD


A manuscript nautical chart of the last decades of the 15th century, featuring the Atlantic coasts of Europe and Africa from Normandy to the Gulf of Guinea, is kept in the Biblioteca Estense Universitaria, Modena. Although unsigned and undated, its Portuguese origin is widely accepted in light of the spelling of most place names. The traditional interpretation is that it may have been completed after 1471, when the Portuguese explorers João de Santarém and Pero Escobar reached Rio do Lago (present-day Lagos, in the Gulf of Guinea) and rio primeiro, the last place names on the chart. The toponym Rio de Santarém (Santarém River), appearing for the first time on a nautical chart, is a clear reference to the name of the explorer. These circumstances, however, are not sufficient to fix the date of the chart with precision. It may well be that the eastern limit of the representation was determined by the lack of space on the parchment, rather than by the boundaries of on-going exploration. A contemporaneous example of such type of anachronism is the chart of Jorge de Aguiar, signed and dated 1492, whose southern limit on the African coast lies behind the furthest point reached by the explorers at that date. For these reasons, Cortesão and Mota choose to date the present chart to the last three decades of the fifteenth century.


It is also worth noticing that this chart is not centered on the Mediterranean Sea, as the traditional portolan charts of the time, but on the eastern Atlantic Ocean. This fact, combined with the sober decoration, may be an indication that the chart was intended either to support navigation or to record the Portuguese explorations along the coast of Africa. Its geographical coverage is not original, though, as it had already been used in the atlases of Grazioso Benincasa produced between 1467 and 1480, where the representations of the northwest coast of Africa were undoubtedly based on Portuguese sources, now lost. A very good example is the atlas dated 1467, now owned by Christie’s, which only depicts the Atlantic coasts of Europe and Africa, from the British Isles to Sierra Leone.


Although it has long been argued that Portuguese nautical cartography was profoundly indebted to and impacted by the Catalan school of the 15th century, renowned for its beautiful and exuberant charts, the decorative aspects of this artefact only subtly indicate such links. While the Majorcan influence may be detected, for example, in the design of the compass roses and the presence of city vignettes, two distinctive features are worth noting: the graphical sobriety, better comparable with the Italian atlases of the time, and the abundance of compass roses (seven), maybe explainable by the instrumental nature of the chart. This fits well with the scholarly consensus that Portuguese cartography was born around 1443, when the need arose to add the newly reached coasts to the circulating Catalan charts. The lapse of about thirty years may explain the stylistic differences between this Portuguese chart and those of contemporary Majorcan cartographers like Petrus Roselli.


Versão portuguesa


Encontra-se conservada na Biblioteca Estense Universitaria, em Modena, uma carta náutica manuscrita representando as costas atlânticas da Europa e África, da Normandia ao Golfo da Guiné. Embora não se encontre assinada ou datada, a origem portuguesa é consensual, devido à grafia da maioria dos nomes geográficos. A interpretação tradicional é de que deve ter sido completada depois de 1471, quando os exploradores portugueses João de Santarém e Pero Escobar chegaram ao Rio do Lago (actual Lagos, no Golfo da Guiné) e rio primeiro, os últimos nomes assinalados na carta. O topónimo Rio de Santarém, pela primeira vez registado numa carta náutica, é uma referência clara ao nome do explorador. Estas circunstâncias não são, contudo, suficientes para datar a carta com precisão. Pode bem ter acontecido que o extremo oriental da representação tenha sido determinado por falta de espaço disponível no pergaminho, e não pelo último local atingido pelas explorações em curso. Um exemplo contemporâneo desse tipo de anacronismo é a carta de Jorge de Aguiar, assinada e datada de 1492, cujo limite sul na costa africana se encontra aquém do limite das explorações nessa data. Por estas razões, Cortesão e Mota resolveram datar a presente carta das últimas três décadas do século XV.

É também de notar que esta carta não se encontra centrada no Mediterrâneo, ao contrário das tradicionais cartas portulano da época, mas na margem oriental do Atlântico. Este facto, combinado com a decoração sóbria, pode indicar que a carta se destinava a apoiar a navegação ou a registar as explorações portuguesas ao longo da costa de África. A sua cobertura geográfica não é, contudo, original uma vez que já tinha sido usada nos atlas de Grazioso Benincasa produzidos entre 1467 e 1480, nos quais as representações da costa noroeste de África foram certamente baseadas em fontes portuguesas, entretanto perdidas. Um muito bom exemplo é o atlas datado de 1467, actualmente propriedade da Christie’s, o qual somente representa as costas atlânticas da Europa e África, das Ilhas Britânicas à Serra Leoa.


Apesar de há muito se argumentar que a cartografia náutica portuguesa é tributária da escola catalã do século XV – conhecida pela sua beleza e exuberância –, e dela tenha recebido influência, essas ligações parecem ténues nos aspectos decorativos desta carta. Embora a influência maiorquina seja detectável, por exemplo no estilo das rosas-dos-ventos e na presença das vinhetas de cidades, duas caraterísticas próprias são dignas de nota: a sobriedade gráfica, comparável à dos atlas italianos da mesma época, e a abundância de rosas-dos-ventos (sete), talvez explicável pela natureza instrumental da carta. Estas diferenças harmonizam-se bem com o consenso académico de que a cartografia portuguesa nasceu por volta de 1443, quando foi sentida a necessidade de acrescentar às cartas catalãs as costas recém-descobertas. O lapso de cerca de trinta anos pode explicar as diferenças de estilo entre esta carta portuguesa e as produzidas pelos cartógrafos catalães contemporâneos, tal como Petrus Roselli.


Further reading | Leitura complementar


  • A. Fontoura da Costa, Uma Carta Náutica Portuguesa, Anónima de “Circa” 1471 (Lisboa: Agência Geral das Colónias, 1940).

  • Armando Cortesão and Avelino Teixeira da Mota, Portugaliae Monumenta Cartographica, Vol. I (Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1987), pp. 3-4.

  • Joaquim Alves Gaspar, From the Portolan Chart of the Mediterranean to the Latitude Chart of the Atlantic. Cartometric Analysis and Modeling. Unpublished doctoral thesis (Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2010), pp. 86-87; 91-92; 101-114.

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