• Sima Krtalic

Chart of the Week | Chart of Mecia de Viladestes, 1413, Spain



Author | Autor Mecia de Viladestes

Date | Data 1413

Country | País Palma de Majorca (Spain)

Archive | Arquivo Paris, Bibliothèque Nationale de France

Call number | Número de Catálogo GE AA-566 (RES)

Dimensions | Dimensões 1150 x 850 mm

Medea DB Entry | Medea BD


The 1413 chart of Mecia de Viladestes covers the Mediterranean Sea, Black Sea, and Western Europe (the “normal portolan” area). Considering its inclusion of rivers, mountains, and kingdoms, it is clear that the map’s construction relied on a diverse collection of sources, including but not limited to the knowledge of mariners. It is one of only two surviving works by Viladestes. The other work, is kept at the Biblioteca Medicea Laurenziana and was made in 1423. Just as most of his works have been lost, so too have the contours of the mapmaker’s biography faded through the centuries. We know that Viladestes was a “converso” (i.e., a Jewish convert to Christianity), whose birth name was Samuel Corchos. We also know that the cartographer was an apprentice to Jafuda Cresques, son of the renowned author of the Catalan Atlas. The 1413 chart shows Viladestes to be a worthy inheritor of the “Majorcan school,” a cartographic tradition which merged nautical knowledge with cultural and decorative content.


Many excellent studies have already probed the inland iconography of the 1413 chart.What is taken for granted, however, is the extent to which Viladestes toiled over little details when finishing this map. For example, both Crete and Cyprus are not merely gilded, but overpainted with an intricate red vinework pattern (incidentally, Pietro Vesconte uses an analogous approach in his atlas of 1313, link). We can find another instance of “unnecessary” effort on the small disc-shaped island just off the northeast coast of Scotland, which is embellished with a subtle geometric pattern. Clearly, we are in the presence of a mapmaker relished opportunities to demonstrate his skill. Although there remains a possibility that the cartographer outsourced the coloring of his charts, the fact that the colors of several islands are consistent across Viladestes’s two surviving works may suggest that he himself was responsible for this phase of chart production.


Such painstaking work did not come cheap. Although we lack detailed information about the commission of the 1413 chart, we do have letters from the Datini archive concerning the purchase of Majorcan charts by Italian merchants just a couple years earlier. These transactions may shed some light on the cost of a chart like Viladestes’s. In the documents, prices for “beautiful” charts vary from about 10 to 18 florins. If we use the conversion tables created by Richard Goldthwaite in his study of Renaissance Florence, we can get a very rough idea of the “value” of these sums of money. In around 1400, 10 to 18 florins amounted to 75 to 135 days’ wages for an unskilled Florentine worker! Surely the chart of Viladestes would fall at the higher end, or even exceed, such a range. While its original owner is unknown, the chart appears to have been hanging at the monastery of Vall de Cristo in Spain by the early 19th century. It was likely removed during the “Desamortización” (a period in which Spanish monastic holdings were confiscated and privatized). After a possible sojourn in Italy, the chart at last wound up in France after its purchase in 1857 by M. Bihours.


Versão Portuguesa


A carta náutica de 1413 de Mecia de Viladestes abrange o Mar Mediterrâneo, o Mar Negro e a Europa Ocidental, ou seja, a região normalmente abrangida por cartas portulanas. Considerando a inclusão de rios, montanhas e reinos, torna-se evidente que a construção do mapa se baseou num grande número de recursos, incluindo mas não limitado ao conhecimento dos marinheiros. A carta de 1413 de Mecia de Viladestes é uma das duas únicas obras, actualmente existentes, do cartógrafo Viladestes. A outra obra está mantida na Biblioteca Medicea Laurenziana e foi feita em 1423. Tal como a maioria das suas obras estão desaparecidas, também os contornos da biografia do cartógrafo foram desaparecendo ao longo dos séculos. Sabe-se que Viladestes era um “converso”, ou seja, um judeu convertido ao cristianismo, sendo Samuel Corchos o seu nome de nascimento. Sabe-se também que o cartógrafo foi aprendiz de Jafuda Cresques, filho do renomado autor do Atlas Catalão. Assim, a carta de 1413 mostra que Viladestes é um digno herdeiro da “escola maiorquina”, uma tradição cartográfica que fundiu conhecimentos náuticos com conteúdos culturais e decorativos.


Vários foram os excelentes trabalhos de investigação acerca da iconografia interna da carta de 1413. Dá-se como garantido a exaustão com que Viladestes trabalhou os pequenos detalhes que embelezam este mapa. Por exemplo, tanto Creta quanto Chipre não foram apenas dourados, mas um intrincado padrão de videira vermelha foi pintado por cima do ouro (incidentalmente, Pietro Vesconte usa uma abordagem análoga em seu atlas de 1313, link). Podemos encontrar outro exemplo de esforço “desnecessário” na pequena ilha em forma de disco azul ao largo da costa nordeste da Escócia. Não contente com um campo organizado de cor pura, Viladestes adiciona um padrão geométrico esbranquiçado. Estamos, claramente, na presença de um cartógrafo que identificou e aproveitou as oportunidades de demonstrar a sua habilidade. Embora permaneça a possibilidade do cartógrafo ter recorrido a outras pessoas para a pintura dos seus mapas, certas consistências cromáticas entre as duas obras sobreviventes de Viladestes poderão sugerir que terá sido ele o responsável por esta fase de produção de gráficos.


Trabalho tão meticuloso não terá saído barato. Embora não tenhamos informações detalhadas sobre a encomenda da carta de 1413, existe correspondência no arquivo Datini a respeito da compra de cartas de Maiorca por comerciantes italianos apenas alguns anos antes. Essas transações podem revelar informações sobre o custo de uma carta como esta de Viladestes. Nos documentos, os preços das cartas “lindas” variam de 10 a 18 florins. Se usarmos as tabelas de conversão criadas por Richard Goldthwaite no seu estudo sobre Florença durante o Renascimento, podemos ter aproximação do “valor” dessas somas de dinheiro. Por volta de 1400, 10 a 18 florins seriam 75 a 135 dias de salário para um trabalhador florentino não qualificado. Certamente a carta de Viladestes colocar-se-ia no limite superior de custo, ou mesmo ultrapassa, tal intervalo. Embora o proprietário original seja desconhecido, a carta aparenta ter sido pendurada no mosteiro de Vall de Cristo, em Espanha, no início do século XIX. Provavelmente terá sido removida durante a “Desamortización”, período durante o qual as propriedades monásticas espanholas foram confiscadas e privatizadas. Após uma possível estadia em Itália, a carta terá ido para França, local onde ainda se encontra, após a compra, em 1857, por M. Bihours.


Further Reading | Leitura complementar

  • Brunnlechner, G. (2019). In Search of Prester John and the ‘River of Gold’. Mecià de Viladestes’ Map and Late Medieval Knowledge about Africa. Journal of Transcultural Medieval Studies, 5(2), 261-294.

  • Campbell, T. Portolan Charts from the Late Thirteenth Century to 1500', JB Harley. The History of Cartography vol 1, Cartography in Prehistoric, Ancient, and Medieval Europe and the Mediterranean, 371-463.

  • Edson, E. (2007). The world map, 1300-1492: the persistence of tradition and transformation. JHU Press.

  • Goldthwaite, R. A. (2009). The economy of renaissance Florence. JHU Press.

  • Houssaye Michienzi, I., & Vagnon, E. (2019). Commissioning and Use of Charts Made in Majorca c. 1400: New Evidence from a Tuscan Merchant’s Archive. Imago Mundi, 71(1), 22-33.

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