• Bruno Almeida

Chart of the Week | Chart of the Atlantic and Caribbean Sea, Diego Gutierrez, 1550, Spain


Author | Autor Diego Gutierrez

Date | Data 1550

Country | País Spain | Espanha

Archive | Arquivo Bibliothèque Nationale de France

Call number | Número de Catálogo GE SH ARCH-2

Dimensions | Dimensões 1318 x 855 mm

Medea DB Entry | Entrada BD Medea


The graphical features of this chart, with its multiple latitude scales and disjointed lines for the Equator and Tropic of Cancer, are peculiar. What a viewer might not expect, however, is that these elements were at the center of a legal dispute that started in Seville, around 1538. The chart is signed “Diego Gutiérrez cosmógrafo de su Majestad me fizo en Sevilla Año 1550”, [Diego Gutierrez his Majesty’s cosmographer made me in Seville in the year 1550]. The author of the chart worked as a cosmographer and cartographer at the famous House of Trade (Casa de la Contratación) in Seville, from 1534 to 1554.


This rectangular chart was drawn on two parchments, glued together. The drawing focuses on the Atlantic between 63º N and 3º S, although it also depicts a portion of the central and south American coasts of the Pacific. A large, beautiful wind rose emerges in the middle of the meridian where the parchments are joined. Besides showing 32 winds, the wind rose also gives the numerical values of the regiment of the leagues, which was used for calculating distances traveled by ship.


What is atypical in this chart is the presence of two large and two small latitude scales, all with identical lengths for the degree of latitude. A large latitude scale can be seen a bit west of the central group of the Azores and applies to the east margins of the Atlantic. A second large scale, shifted 2º30’ to north relative to the first, is represented a few degrees west of the mouth of the Amazon River and crosses North America. This latter scale applies to the west margins of the Atlantic and its shift is a fit to the latitude of an undetermined point in the Caribbean Sea. Because of the mismatch between the two scales, Gutierrez had to draw two lines of the Equator and two Tropics of Cancer.


A third, and smaller, latitude scale has also penciled the east of the coast of Newfoundland, angled about 22º30’ clockwise. The position of Newfoundland indicates that the region was drawn according to the estimated distance and magnetic course from Terceira Island, in the Azores. Hence, the auxiliary scale was intended to show the measured latitudes just for this region and to express the local magnetic declination. A less visible fourth scale, aligned with the North-South direction and with the one crossing South America, was sketched in the Caribbean Sea, west of Cuba.


Gutierrez, and the pilot major Sebastian Cabot as well, had no qualms with multiple scales of latitude on the charts. This set them on a collision course with another group of cosmographers, led by Pedro de Medina and Alonso de Chaves, who thought very differently. Embedded in a fight for professional prestige, these technical disagreements gave rise to a dispute that eventually played out in the courts of law.


Gutierrez argued that his solution concerning multiple latitude scales was more convenient for sailors. In contrast, Chaves believed that charts like this one did not represent the real “image of the world” and introduced artificial features. Moreover, Medina claimed that charts with multiple scales were incompatible with the application of his favored astronomical methods to determine latitude. Interestingly, many pilots agreed with Gutierrez - they were accustomed to navigating by means of age-old techniques and hard-earned experience, not by more complicated astronomical methods.


In 1545, after a protracted legal process, the court and the Council of the Indies finally decided against Cabot and Gutierrez, and the latter was forbidden from using multiple scales. Yet, the existence of this chart, clearly made after the verdict, shows that Gutierrez (and his buyers) were not swayed in their convictions.


Versão Portuguesa


As características gráficas desta carta, que exibe várias escalas de latitude e duas linhas do Equador e do Trópico de Câncer, são peculiares. Menos óbvio para um observador é que esses elementos estiveram no centro de uma disputa legal que ocorreu em Sevilha, por volta de 1538. A carta está assinada “Diego Gutiérrez cosmógrafo de sua Majestad me fizo en Sevilla Año 1550”, [Diego Gutierrez cosmógrafo de Sua Majestade fez-me em Sevilha no ano de 1550]. O autor desta carta foi cosmógrafo e cartógrafo na famosa Casa de la Contratación em Sevilha, de 1534 a 1554.


A carta, de formato rectangular, foi desenhada em dois pergaminhos colados um ao outro. O desenho centra-se no Atlântico entre 63º N e 3º S, embora também esteja representada uma porção da costa centro e sul-americana do Oceano Pacífico. Uma opulenta rosa-dos-ventos emerge no meio da carta, no meridiano onde os pergaminhos estão unidos. Além de mostrar 32 ventos, a rosa-dos-ventos também mostra os valores numéricos do regimento das léguas, essencial para o cálculo das distâncias percorridas por um navio.


O que é atípico nesta carta é a presença de quatro escalas de latitude, duas grandes e outras duas mais pequenas, todas desenhadas com graus iguais. Uma das escalas maiores pode ser vista um pouco a oeste do grupo central dos Açores e ajusta-se à costa leste do Atlântico. A segunda escala grande, que está deslocada 2º30’ para o norte em relação à primeira, é representada alguns graus a oeste da foz do rio Amazonas e cruza a América do Norte. Esta última escala aplica-se às costas oeste do Atlântico e o seu desvio deriva do ajuste à latitude de um local nas Caraíbas. Por causa da divergência de latitudes entre as duas escalas, Gutierrez teve de traçar duas linhas do Equador e dois Trópicos de Câncer.


Uma terceira, e menor, escala de latitude foi desenhada a leste da costa da Terra Nova, inclinada segundo um ângulo de cerca de 22º30’, no sentido horário. A posição geográfica da Terra Nova indica que foi traçada a partir da distância estimada e de um rumo magnético com origem na Ilha Terceira, nos Açores. Esta escala auxiliar servia para mostrar as latitudes medidas nesta região e expressar a declinação magnética local. Uma quarta escala, menos visível, foi esboçada no Mar do Caribe, a oeste de Cuba e está alinhada com a direcção Norte-Sul.


Gutierrez, juntamente com o piloto mayor Sebastian Cabot, não vislumbravam problemas em desenhar múltiplas escalas de latitude nas cartas. Esta opção colocou-os em oposição a outro grupo de cosmógrafos, liderados por Pedro de Medina e Alonso de Chaves, que pensavam de forma muito diferente. Este desentendimento, que estava inserido numa busca por prestígio profissional, deu origem a uma disputa que acabou nos tribunais.


Gutierrez argumentava que a sua solução com várias escalas de latitude era mais conveniente para os marinheiros. Em contrapartida, Chaves acreditava que as cartas como esta não representavam a verdadeira “imagem do mundo”, introduzindo recursos técnicos artificiais. Além disso, Medina defendia que as cartas de navegar com escalas múltiplas eram incompatíveis com a aplicação de métodos astronómicos para determinar a latitude. Curiosamente, muitos pilotos concordavam com Gutierrez pois estavam acostumados a navegar por meio de técnicas arcaicas e da experiência adquirida, não por métodos astronómicos mais elaborados.


Em 1545, após um demorado processo judicial, o tribunal e o Conselho das Índias finalmente decidiram contra Cabot e Gutierrez, sendo este último proibido de recorrer a escalas múltiplas. No entanto, a existência deste mapa, claramente feito após o veredicto, mostra que Gutierrez (e seus clientes) não assumiram a sua derrota.


Further reading | Leitura complementar

  • Gaspar, Joaquim Alves, and Henrique Leitão. “Early Modern Nautical Charts and Maps: Working Through Different Cartographic Paradigms.” Journal of Early Modern History 23, no. 1 (2019): 1–28.

  • Martin-Meras, Luísa. 1993. Cartografia Maritima Hispana: La Imagem de America. Barcelona.

  • Sánchez, Antonio. 2013. La Espada, La Cruz y El Padrón. Soberanía, Fe y Representación Cartográfica En El Mundo Ibérico Bajo La Monarquía Hispánica, 1503-1598. Colección Universos Americanos 11. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas.

  • Sandman, Alison. “Cosmographers vs. Pilots: Navigation, Cosmography, and the State in Early Modern Spain.” Doctoral dissertation, University of Wisconsin, 2001.

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