• Joaquim Gaspar

Chart of the Week | Gabriel de Vallseca, 1439, Spain


Author | Autor Gabriel de Vallseca

Date | Data 1439

Country | País Spain

Archive | Arquivo Biblioteca de Catalunya

Call Number| Número Catálogo Inv. 3236

Dimensions | Dimensões 1120 x 750 mm

Medea-Chart DB Entry | Entrada BD Medea-Chart


Gabriel de Vallseca was a Catalan cartographer born in Barcelona near the beginning of the fifteenth century, from a family of Jewish converted to Christianism. He later moved to Palma de Majorca, where he produced all his known works. Five portolan chars of his hand have survived, made between 1439 and 1449, four of them signed and dated. This chart of 1439, the oldest extant, bears the inscription gabriell de ualsequa la feta en malorcha any M.ccccxxxviiii (Gabriel de Vallseca made it in Majorca, in the year 1439) and represents the Mediterranean, the Black Sea, the Atlantic coasts of Europe and north Africa, and the archipelagoes of Madeira, the Canary Islands and the Azores. Although a considerable part of the African coast south of Cabo Bojador is depicted, this is just a conjectural representation imported from older charts of Catalan origin, such as the Angelino Dulceti chart of 1339, Cresques’s chart of c. 1375 and Mecia de Viladestes’s chart of 1413. It was only with the chart of Andrea Bianco of 1448, made fourteen years after the Cape Bojador was doubled (1434), that the Portuguese discoveries in the south were for the first time represented on a chart.


Two features make this chart historically important. The first is that it is the first cartographic work to depict the nine islands of the Azores in their approximate geographical locations. The second is the inscription near the Azores archipelago, giving the name of its discoverer and the date of the discovery: Aquestes illes foram trobades p. diego de silues / pelot delrey de portogall an lay M ccc xx.vij (these islands were found by Diogo de Silves / a pilot of the King of Portugal in the year 1427). Owing to the accidental upset of an inkwell over the chart when it was shown to the writer George Sand and the composer Frédéric Chopin, in 1841, a large and ugly stain mars the western border, partially obscuring the legend. Also worth noting is the inscription on the back of the chart indicating that it belonged to Amerigo Vespucci, who may have paid a considerable amount for it: Questa ampia pella di geographia fue pagata da Amerigo Vespuci - LXXX ducati di oro di marco (this large geographical skin was paid for by Amerigo Vespucci - 80 golden ducats). Some historians consider the legend to be the forgery of an unscrupulous dealer justifying to ask a higher price for the manuscript.


Stylistically, this richly decorated chart resembles the Majorcan luxury cartography of the time, with its numerous flags, coats of arms, city vignettes, animals, figures of kings and explanatory texts in Catalan. One single compass rose is shown which, as in most early charts, is placed near the top border. Close to the eastern border, the figures of the biblical Three Wise Man are illustrated, riding from the east to the Holy Land, and the Queen of Sheba, housed in a red stylized tent, a feature that is shared with only two older extant charts: the Atlas Catalan of 1375 and the well-known chart of Angelino Dulcetti, of 1339.


Versão Portuguesa


Gabriel de Vallseca foi um cartógrafo catalão nascido em Barcelona perto do início do século XV, de uma família de cristãos-novos. Mudou-se mais tarde para Palma de Maiorca, onde produziu a maioria dos seus trabalhos conhecidos. Cinco cartas portulano saídas das suas mãos chegaram aos nossos dias, completadas entre 1439 e 1449, quatro delas datadas e assinadas. A carta de 1439, a mais antiga, tem a inscrição gabriell de ualsequa la feta en malorcha any M.ccccxxxviiii (Gabriel de Vallseca fê-la em Maiorca, no ano de 1439) e representa o Mediterrâneo, Mar Negro, as costas atlânticas da Europa e norte de África, e os arquipélagos da Madeira, Canárias e Açores. Embora uma parte considerável da costa para sul do Cabo Bojador seja figurada, trata-se de uma representação conjectural importada de cartas mais antigas de origem catalã, tais como a de Angelino Dulcetti (1339), Abraham Cresques (c. 1375) e Mecia de Viladestes (1413). Foi somente com a carta de Andrea Bianco de 1448, completada catorze anos depois de o Cabo Bojador ser dobrado, que as descobertas portuguesas para sul foram representadas pela primeira vez.


Duas características tornam esta carta historicamente importante. A primeira é o facto de ser a primeira representação cartográfica em que as nove ilhas dos Açores são representadas nas posições aproximadamente correctas. A segunda é a inscrição junto ao arquipélago dos Açores, contendo o nome do descobridor e a data da descoberta: Aquestes illes foram trobades p. diego de silues / pelot delrey de portogall an lay M ccc xx.vij (estas ilhas foram encontradas por Diogo de Silves / piloto do rei de Portugal no ano de 1427). Devido ao derrame acidental de um tinteiro sobre a carta, na ocasião em que esta estava a ser mostrada à escritora George Sand e ao compositor Frédéric Chopin, em 1841, uma grande e feia mancha marca o seu extremo ocidental, obscurecendo parcialmente a legenda. Também de assinalar é a inscrição no verso da carta, indicando que a mesma pertenceu a Américo Vespúcio, o qual terá pagado uma considerável quantia: Questa ampia pella di geographia fue pagata da Amerigo Vespuci - LXXX ducati di oro di marco (esta grande pele geográfica foi paga por Américo Vespúcio – LXXX ducados de ouro). Alguns historiadores consideram que a legenda foi forjada por um comerciante menos escrupuloso com fim de justificar pedir uma maior quantia pelo manuscrito.


Estilisticamente, esta carta ricamente decorada assemelha-se à luxuosa cartografia catalã da época, com as suas numerosas bandeiras, brasões, vinhetas de cidades, figuras de reis e textos explicativos escritos em catalão. Somente uma rosa-dos-ventos é representada e, tal como na maioria das cartas mais antigas, esta encontra-se colocada perto da margem superior. Junto à margem oriental, estão as figuras dos três Reis Magos bíblicos, cavalgando do oriente para a Terra Santa, e a da Rainha do Sabá, abrigada numa tenda estilizada, figura que é partilhada somente com duas cartas mais antigas: o Atlas Catalão (1375) e a conhecida carta de Angelino Dulcetti, de 1339.


Further reading | Leitura complementar

  • Armando Cortesão, História da Cartografia Portuguesa, Vol. II (Coimbra: Junta de Investigações do Ultramar, 1971), 148-150.

  • Ramón Pujades, La Carta De Gabriel De Vallseca Del 1439 (Barcelona: Lumen Artis, 2009).


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