• Sima Krtalic

Chart of the Week | Jacopo Russo, 1520, Italy



Author | Autor Jacopo Russo Date | Data 1520 Country | País Messina, Italy Archive | Arquivo Archivio di Stato di Firenze Call number | Número de Catálogo CN 12 Dimensions | Dimensões 1055 x 670 mm Medea DB Entry | Entrada BD Medea


Jacopo Russo, son of Pietro Russo, was a second-generation chart maker from Sicily whose workshop was originally situated near the docks of Messina. Although relatively far from the cutting-edge of navigation and nautical cartography, which had long since migrated to the Iberian Peninsula, Russo was well-placed to cater to Mediterranean mariners. His work seems to have been appreciated: local authorities saw Russo was equipped with new work facilities after his original auspices were demolished during the rebuilding of the local port. This chart, covering the northeast Atlantic, Mediterranean and Black Seas, and part of the Red Sea, is one of his earliest extant works.


The abundant decoration on the chart recalls the Catalan cartographic tradition, to which Jacopo’s father has sometimes been speculatively linked. But while the calligraphy used for placenames is legible and competent, the chart’s figural elements betray Jacopo’s (wholly unsurprising) lack of “fine art” training. This fact seems not to have made his work any less sought-after, for his workshop continued churning out charts for many decades. If unpolished, Russo’s embellishments are nonetheless lively and often humorous, and show playful variations accross his body of work. On this chart, the rows of city vignettes in northern Africa are punctuated by a slow-moving parade of carnivalesque figures on camels, heading west. On a chart made five years later, these “jesters” carry spears. And seven years after that, they are reimagined as turbaned Muslims galloping full speed to the Atlantic. Similarly droll camel-jockeys can be met on an anonymous Italian chart of the same century but by another hand.


In his decorative miniatures, Jacopo blends the generic and the specific. Sometimes features are purely symbolic, while at other moments, they aim to record reality. An interesting example of this mix is seen in Jacopo’s depiction of kings and, oddly enough, their facial hair. Starting in the medieval period, Christian artists used such physical features as beards to visually identify the non-Christian “other.” At first glance, the same dichotomy prevails on this chart: all of the monarchs of Africa, except Prester John are bearded, indicating their cultural alienness. Prester John is the mythical Christian king variously reigning from Ethiopia, Asia, and India, and identified here with the inscription lo pesti Iuannj de india. Meanwhile, the European kings are clean-shaven, dressed and coiffed almost in the manner of Gothic statuary. But there is a jarring exception to this rule: the Iberian monarch, who wears 16th-century garb and is fully bearded. This image may depict an actual contemporary ruler: the Emperor Charles V. Lately ascended to the throne and heir to an empire that included Sicily, he seems actually to have worn a beard, and is typically presented as such in his portraiture, which Jacopo may have encountered. Thus, Jacopo’s frequent recourse to stereotyped iconography must be seen as an expedient, not a choice. He was only too glad to upend his “timeless,” generalized picture of the Mediterranean world with up-to-date details when he possessed them.


Versão Portuguesa


Jacopo Russo, filho de Pietro Russo, foi um cartógrafo siciliano de segunda geração, com a sua oficia situada originalmente junto às docas de Messina. Embora relativamente longe da vanguarda da navegação e cartografia náutica, que há muito tinha migrado para a Península Ibérica, Russo estava bem colocado para responder às necessidades dos navegantes mediterrânicos. O seu trabalho parece ter sido apreciado e as autoridades locais verificaram que Russo conseguira boas instalações, após as oficinas originais terem sido demolidas durante a reconstrução do porto local. A presente carta, que cobre o Atlântico Nordeste, o Mediterrâneo, o Mar Negro e parte do Mar Vermelho, é um dos seus trabalhos iniciais que chegou aos nossos dias.


A decoração abundante desta carta faz lembrar a tradição cartográfica catalã, à qual o pai de Jacopo foi, por vezes, especulativamente vinculado. Mas embora a caligrafia utilizada nos nomes geográficos seja legível e confiável, os elementos figurativos traem a (não-surpreendente) falta de treino de Jacopo nas belas artes. Este facto parece não ter tornado os seus trabalhos menos procurados, uma vez que a sua oficina continuou a produzir cartas por muitas décadas. Embora pouco polidas, as decorações de Russo são, no entanto, vivas e frequentemente bem-humoradas, e apresentam variações engraçadas ao longo das suas obras. Nesta carta, as sequências de vinhetas de cidades no norte de África são realçadas por um desfile lento de figuras carnavalescas montadas em camelos, caminhando para ocidente. Numa carta desenhada cinco anos mais tarde, estes mesmos bufões aparecem empunhando lanças. E sete anos depois, são reinventados como muçulmanos de turbante, galopando a toda a velocidade em direcção ao Atlântico. Semelhantes cómicos jóqueis de camelos podem ser encontrados numa carta italiana anónima do mesmo século, desenhada por outras mãos.


Nas suas miniaturas decorativas, Jacopo mistura o genérico com o específico. Por vezes, os elementos são meramente simbólicos, enquanto noutras, procuram retratar a realidade. Um exemplo interessante desta mistura encontra-se na representação dos reis e, curiosamente, nos seus pelos faciais. A partir da Idade Média, os artistas cristãos adoptaram características físicas, como as barbas, para identificar os “outros”, não-cristãos. À primeira vista, esta dicotomia parece verificar-se também nesta carta: todos os monarcas africanos, com excepção do Prestes João, têm barbas, indicando a sua diferente cultura. Prestes João era o mítico monarca cristão que reinava ora na Etiópia, ora na Ásia e na Índia, aqui identificado pela inscrição lo pesti Iuanny de india. Por outro lado, os reis cristãos aparecem barbeados, vestidos e penteados quase ao modo da estatuária gótica. Há, contudo, uma chocante excepção a esta regra: a do monarca ibérico, que usa trajes do século XVI e ostenta uma barba completa. Tal imagem representará, talvez, um governante contemporâneo real: o imperador Carlos V. Tendo recentemente ascendido ao trono e sendo o herdeiro de um império que incluía a Sicília, Carlos V era tipicamente representado como tal nos seus retratos, aos quais Jacopo pode ter tido acesso. Sob esta luz, o recurso frequente a uma iconografia estereotipada deve ser aqui entendido como um expediente, e não uma escolha. Jacopo deve ter-se sentido satisfeito por poder complementar uma imagem intemporal do Mediterrâneo com pormenores actualizados, sempre que os possuía.

Further reading | Leitura complementar

  • Roberto Almagià (1957). I lavori cartografici di Pietro e Jacopo Russo. Academia Nazionale dei Lincei. Rendiconti della classe di Scienze morali, storiche e filologiche, VIII(vol. XII), 301-320.

  • Strickland, D. H. (2003). Saracens, demons, & Jews: making monsters in medieval art. Princeton University Press.

  • Astengo, C. (2007). The Renaissance Chart Tradition in the Mediterranean. The History of Cartography, 3(part 1), 174-263.

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