• Joaquim Gaspar

Chart of the Week | Kunstmann IV chart, anonymous, circa 1519, lost


Author | Autor anonymous. Attributed to Jorge Reinel and Pedro Reinel

Date | Data c. 1519

Country | País Portugal

Archive | Arquivo Lost | Perdido Facsimile at Bibliothèque Nationale de France

Call number | Número de catálogo CPL GE AA-564 (RES)

Dimensions | Dimensões 1280 X 630 mm

Medea-Chart Database Entry | Entrada Base de Dados Medea-Chart


In 1517 Fernão de Magalhães (Ferdinand Magellan) arrived at Seville, with an irresistible proposal to the young King Charles I of Spain: to demonstrate the coveted Spice Islands (the Moluccas, source of the valuable clove) were on the Spanish side of the world according to the Treaty of Tordesillas and could be reached by navigating to the west. At the time the treaty was signed by the Spanish and the Portuguese Crowns, nobody wondered the dividing north-south line which crossed the Atlantic 370 leagues to the west of the Cabo Verde Islands, could be extended to the other side of the world and that its exact location in the antipodes would become the subject of a diplomatic conflict between the two countries. To show the antemeridian of the Treaty of Tordesillas was located to the west of Moluccas – favouring Spain in the dispute – and to find a western route to the region, which avoided the Portuguese hemisphere, was the proposal presented to Charles I by Magalhães. To plan this mission, Magalhães surrounded himself with the best Portuguese experts in nautical science, including the cartographer Jorge Reinel and his father Pedro.


Thus Jorge and Pedro Reinel were the likely authors of the anonymous planisphere known as Kunstmann IV (c.1519, now lost), offered by Magalhães to the Spanish king as convincing evidence the Moluccas were situated in the Spanish side of the world. For the first time in nautical cartography, the whole equatorial circumference of the Earth was represented, including the unexplored Pacific Ocean. Also for the first time, the Equator was divided into intervals of longitude: 183 degrees to the east of the line of Tordesillas, and 183 degrees to the west. We could wrongly conclude that this innovation was related to new developments in navigational methods, but this is not the case. The most likely reason for the longitude graduation was to show the Moluccas archipelago was located less than 180 degrees to the west of the Tordesillas line, that is, on the Spanish side. We could also hastily presume the location of the Moluccas on the planisphere was a purposeful manipulation of Magalhães aimed to persuade the Spanish king. But this assumption would also be wrong, as the position of the islands closely reflects that on the Portuguese charts of the time.


Versão Portuguesa


Em 1517 Fernão de Magalhães chegou a Sevilha com uma proposta irresistível para o jovem rei Carlos I de Espanha: demonstrar que as cobiçadas ilhas das especiarias (as Molucas, fonte do valioso cravo) se encontravam no lado espanhol do mundo, de acordo com os termos do Tratado de Tordesilhas, e podiam ser alcançadas navegando para ocidente. Na altura em que o tratado tinha sido firmado entre as coroas espanhola e portuguesa, ninguém imaginava que a linha divisória norte-sul que atravessava o Atlântico 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde podia ser prolongada para o outro lado do mundo, e que a sua exacta localização nos antípodas viria a desencadear um conflito diplomático entre os dois países. Mostrar que o antemeridiano do Tratado de Tordesilhas estava a oeste das Molucas – assim favorecendo Espanha na disputa – e encontrar uma rota ocidental para a região que evitasse o hemisfério português, foi a proposta apresentada por Magalhães a Carlos I. Para planear a missão, Magalhães rodeou-se dos melhores especialistas portugueses em ciência náutica, incluindo o cartógrafo Jorge Reinel e o seu pai, Pedro.


Assim, teriam sido Jorge e Pedro Reinel os autores do planisfério anónimo conhecido por Kunstmann IV (c.1519, perdido na 2ª Guerra Mundial), o qual foi oferecido por Magalhães ao monarca espanhol como prova convincente de que as Molucas se situavam no lado espanhol do mundo. Pela primeira vez em cartografia náutica, todo o perímetro equatorial da Terra foi representado, incluindo o desconhecido Oceano Pacífico. Também pela primeira vez, o Equador foi dividido em intervalos de longitude: 183 graus para leste da linha de Tordesilhas e 183 graus para oeste. Poderíamos concluir erradamente que esta inovação estava relacionada com uma qualquer inovação nos métodos de navegação, mas não é o caso. A razão mais plausível para a graduação em longitude foi mostrar que o arquipélago das Molucas se encontrava a menos de 180 graus da linha de Tordesilhas, isto é, no lado espanhol. Poderíamos também apressadamente assumir que a localização das Molucas no planisfério constituiu uma manipulação deliberada de Magalhães, no sentido de persuadir o rei espanhol. Mas essa interpretação estaria também errada, uma vez que a posição das Molucas reflecte a que constava nas cartas portuguesas da época.


Further reading | Leitura complementar

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Pietro Vesconte
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