• Bruno Almeida

Chart of the Week | The Dijon Chart, anonymous author, 1492-1508 | Carta de Dijon


Author | Autor unknown

Date | Data between 1492-1508

Country | País Unknown (possibly Portugal)

Archive | Arquivo Bibliothèque Municipale de Dijon

Call number | Referência Ms. 550.

Dimensions | Dimensões 670x1000 mm

Medea Database Entry | Entrada Base de Dados Medea


The unsigned, undated Dijon chart is unusual in the history of early 16th-century nautical cartography because it has a near-twin: a chart fragment kept in the Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisbon). Few pairs of manuscript nautical charts are so strikingly similar as these two, lending the Dijon chart undeniable importance for the study of toponomy and copying processes. What is more, some researchers have hypothesized a connection between the Dijon chart and the famed Kunstmann III chart, opening up the possibility that both were produced in the same workshop, or bear witness to information sharing across ateliers.


Many of the decorations on the Dijon chart are comparable to those found in Catalan/Majorcan exemplars. The three scales of leagues (two horizontal and one vertical), and the shape of Scandinavia also resemble Catalan/Majorcan models. The wind roses are drawn in a “transitional” style, showing two different designs. The most salient difference between the types is that one of the wind roses has a fleur-de-lis (pointing north), a recently-adopted embellishment that became the standard in Portuguese cartography of the 1500s and became the international standard since. Despite its hybrid character, nowadays most researchers consider the Dijon chart to be a product of Portuguese cartography, based on the language in which its place names are written.


Concerning the date of production, the flag painted near Granada, with symbols of the Spanish monarchs Ferdinand and Isabel, tells us that the chart was made after January 1492. Several distinctive illustrations, almost certainly added after the chart was finished, further refine the dating. It is very probable that some of these shapes, resembling swords, represent the results of Pedro Navarro’s military campaigns in North Africa, which were staged in Peñón de Velez in 1508, and Oran in May 1509. Moreover, the absence of crosses in Tripoli, a city captured in July 1510, could indicate that the drawings were added before that date. There is also a drawing of a line (or faded cross) in Monte Sines, and a crossbow above Bougie, which is part of the coat of arms of that city. As far as it is possible to know, no other chart of the period features sword-shaped crosses in the areas mentioned above; thus, taken together, all these pieces of evidence support a pre-1508 production date for this fascinating and idiosyncratic chart.


Versão Portuguesa

A carta de Dijon, não assinada e não datada, é um caso pouco comum na história da cartografia náutica do início do século XVI, uma vez que tem um par quase idêntico: um fragmento de uma carta mantido no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisboa). Poucos pares de cartas náuticas manuscritas são tão parecidas como estas duas, atribuindo à carta de Dijon uma importância indiscutível para o estudo da toponímia e dos processos de cópia. Além disso, alguns investigadores levantaram a hipótese de uma conexão entre a carta de Dijon e a famosa carta Kunstmann III, abrindo a possibilidade de ambas terem sido produzidas na mesma oficina, ou serem indicativas da partilha de informação entre ateliês.


Muitas das decorações na carta de Dijon são comparáveis ​​às encontradas em exemplares Catalães/Maiorquinos. As três escalas de léguas (duas horizontais e uma vertical) e a forma da Escandinávia também se assemelham aos modelos Catalães/Maiorquinos. As rosas-dos-ventos são desenhadas num estilo de “transição”, apresentando dois padrões diferentes. A diferença mais relevante entre os desenhos é que uma das rosas-dos-ventos tem uma flor-de-lis apontando na direcção do Norte. Este ornamento, que tinha sido recentemente adoptado, tornar-se-ia a norma na cartografia portuguesa do século XVI, e marcou a norma internacional. Apesar do seu carácter híbrido, hoje em dia a maioria dos investigadores considera a carta de Dijon um produto da cartografia portuguesa, argumento que ganha força devido ao uso privilegiado do português na escrita dos nomes dos lugares.


Quanto à datação, a bandeira pintada perto de Granada, com símbolos dos monarcas espanhóis Fernando e Isabel, revela-nos que a carta terá sido feita depois de Janeiro de 1492. Várias ilustrações distintas, quase certamente adicionadas após a conclusão da carta, refinam ainda mais a datação. É muito provável que alguns desses desenhos, semelhantes a espadas, representem os resultados das campanhas militares de Pedro Navarro no Norte da África, que tiveram lugar em Peñón de Velez em 1508, e Oran em Maio de 1509. Além disso, a ausência de cruzes em Trípoli, uma cidade capturada em Julho de 1510, pode indicar que os desenhos foram adicionados antes dessa data. Existe também o desenho de uma linha (ou cruz esbatida) em Monte Sines, e uma besta (parte do brasão daquela cidade) adicionada sobre Bougie. Tanto quanto é possível saber, nenhuma outra carta do período apresenta este tipo de ornamento nas áreas mencionadas. Assim, quando analisadas em conjunto, todas estas evidências apontam para uma data de produção anterior a 1508.


Further reading | Leitura complementar

  • Gaffarel, P. (1874). “Étude sur un portolan inédit de la Biblioteque de Dijon”. Mémoires de la Commission des Antiquités du Département de la Côte d’Or, 9, 149199.

  • Santarém, V. (1919). “Acerca da carta marítima dos Archivos de Dijon”. Estudos de Cartographia Antiga, 129131.

  • Du Jourdin, M. M, de La Ronciere, M., Azard, M.-M., Raynaud-Nguyen, I., & Vannereau, M.-A. (1984). Sea charts of the early explorers: 13th to 17th century. New York : Thames and Hudson.

  • Marques, A. P. (1987). Portugaliae Monumenta Cartographica, Vol. 6. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda [facsimile edition], 83–86.

  • Almeida, B. (2020). “Famous charts and forgotten fragments: exploring correlations in early Portuguese nautical cartography”, International Journal of Cartography, DOI: 10.1080/23729333.2019.1705226

155 visualizações
Highlights
Recent Posts
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square