• Joaquim Gaspar

Chart of the Week | Atlantic chart of Pedro Reinel, c.1484-92, Portugal


Author | Autor Pedro Reinel

Date | Data c. 1484-92

Country | País Portugal

Archive | Arquivos Archives Départementales de la Gironde

Call number | Número de Catálogo 2 Fi 1582-2

Dimensions | Dimensões 715 x 935 mm

Medea-Chart entry | Entrada Medea DB


Several factors lend this chart signed by Pedro Reinel, but not dated, special historical significance. Together with the anonymous chart of c. 1471 and the chart of Jorge de Aguiar of 1492 it is one of the earliest surviving exemplars of the Portuguese nautical cartography. It represents the eastern Atlantic Ocean, from the British Isles to the Congo River, with the archipelagos of Madeira, Azores and Canarias, as well as the western part of the Mediterranean Sea. Various dates have been proposed for the completion of the chart, ranging between 1483 and 1504. The dating interval adopted here is 1484-1492, as suggested by Marques. One author (Amaral) has argued that this chart was made in two different occasions and that astronomical observed latitudes were incorporated in the representation of the Gulf of Guinea. This hypothesis was, however, undermined by the result of a cartometric analysis of the chart, which clearly indicated that the depiction of the region was derived from the old navigational method of the point of fantasy, based on compass courses and estimated distances.


A curious distinctive feature, shared with the chart of Jorge de Aguiar, is relegation of the African coastline east and south of Cape Coast (in the Gulf of Guinea) to an inset drawn over the Sahara and Sahel. Various explanations have been proposed for this ingenious expedient. One such explanation (Cortesão e Mota) is that the chart was nearly ready, and most of the parchment had already been used, when Diogo Cão arrived in Lisbon in 1484, from his exploration mission to the southwest coast of Africa, hitherto unreached by European mariners. Rather than omit the new geographical information, the cartographer decided to draw an additional segment of the coastline (from Cape Coast to the Congo River) in what space remained. This leaves the question of why Reinel chose not to include the whole coastal stretch visited by Diogo Cão, a decision that has been explained by a hypothetical royal prohibition of representing any lands south of the Congo River. My interpretation, first proposed by Marques, is simpler. Knowing that most charts were drafted by copying the coastlines from the available patterns, the reason to employ an inset for representing part of the coast of Africa is that no adequate model covering the whole region was available at the time the chart was drawn. With the progressive discovery of new lands during the last decades of the 15th century, greatly expanding the regions to be represented on nautical charts, those models had to be redrawn in different scales, since the size of the animal skins didn’t change much. That was a complex and time-consuming operation that may have caused significant delays between the collection of geographical data at sea and its formal cartographic representation.


Unlike Jorge de Aguiar’s chart, which exhibits a rich decoration that recalls the Majorcan origin of Portuguese cartography, the chart of Pedro Reinel is relatively sober. Apart from a lion painted over Serra Lioa (Sierra Leone) and the presence of numerous flags disposed along the coasts – indicating possession – its style and coverage suggests it may have been made to support or record navigation along the coast of Africa, like the Portuguese anonymous chart of c. 1471. Considering its poor state of conservation, it may even have been used onboard.


Versão portuguesa


Várias razões levam esta carta assinada por Pedro Reinel, mas não datada, a ter especial relevância história. Juntamente com a carta anónima de c. 1471 e a carta de Jorge de Aguiar de 1492, trata-se de um dos mais antigos exemplares da cartografia náutica portuguesa que chegaram aos nossos dias. A carta representa o Atlântico oriental, das Ilhas Britânicas até ao rio Zaire, com os arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias, tal como a parte ocidental do Mediterrâneo. Várias datações foram propostas para esta carta, desde 1483 a 1504. O período aqui adoptado, de 1484 a 1492, foi sugerido por Marques. Um outro autor (Amaral) argumentou que a carta foi desenhada em dois períodos distintos e que terão sido incorporadas observações astronómicas na representação do Golfo da Guiné. Contudo, esta hipótese é negada pelos resultados de uma análise cartométrica, a qual mostrou claramente que a representação da região se baseou no velho método do ponto de fantasia, isto é, em rumos da bússola e distâncias estimadas.


Uma característica curiosa, partilhada com a carta de Jorge de Aguiar, é o facto de a linha de costa para leste e sul do Cabo Coast (no Golfo da Guiné) ter sido relegada para um inserto colocado sobre o Sara e o Sahel. Várias explicações foram propostas para este engenhoso expediente. Uma delas (Cortesão e Mota) é que a carta estava praticamente pronta, e a maior parte do pergaminho tinha já sido usado, quando Diogo Cão chegou a Lisboa, em 1484, regressado da sua missão de exploração à costa sudoeste de África, até então desconhecida dos navegadores europeus. Em vez de omitir a nova informação geográfica, o cartógrafo terá decidido desenhar um segmento adicional da costa (do Cabo Coast ao Rio Zaire) no espaço disponível. Esta interpretação deixa por explicar por que razão Reinel optou por não incluir toda a linha de costa visitada por Diogo Cão, decisão que seria justificada por uma hipotética proibição real de representar qualquer terra para sul do Rio Zaire. A minha interpretação, antes proposta por Marques, é mais simples. Sabendo que a generalidade das cartas eram desenhadas copiando as linhas de costa das cartas-padrão disponíveis, a razão para utilizar um inserto para representar parte da costa de África estaria na inexistência de um modelo cobrindo toda a região, na altura em que a carta foi desenhada. Com a descoberta progressiva de novas terras, durante as últimas décadas do século XV, em muito expandindo as regiões a representar nas cartas, aqueles modelos tiveram de ser redesenhados em diferentes escalas, uma vez que o tamanho das peles dos animais não variava muito. Tratava-se de uma complexa e laboriosa operação, que deve ter provocado consideráveis atrasos entre a recolha de informação geográfica no mar e a sua representação cartográfica formal.


Ao contrário da carta de Aguiar, a qual exibe decoração exuberante e remete para a origem maiorquina da cartografia portuguesa, esta carta de Pedro Reinel é relativamente sóbria. Com excepção de um leão pintado junto à Serra Lioa (Sierra Leone) e a presença de numerosas bandeiras ao longo da costa – indicando posse – o seu estilo e cobertura sugerem ter sido elaborada para apoiar e registar a navegação ao longo da costa de África, tal com a carta portuguesa anónima de c. 1471. Tendo em conta o mau estado de conservação, a carta pode mesmo ter sido utilizada a bordo.


Further reading | Leitura complementar

  • Armando Cortesão and Avelino Teixeira da Mota, Portugaliae Monumenta Cartographica, Vol. V (Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1987), pp. 3-4.

  • Alfredo Pinheiro Marques, Portugaliae Monumenta Cartographica, Vol. VI. Suplement (Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1987), pp. 66-72.

  • Joaquim Ferreira do Amaral, Pedro Reinel me Fez. À Volta de um Mapa dos Descobrimentos (Lisboa: Quetzal Editores, 1995).

  • Joaquim Alves Gaspar, From the Portolan Chart of the Mediterranean to the Latitude Chart of the Atlantic. Cartometric Analysis and Modeling. Unpublished doctoral thesis (Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2010), pp. 87-89; 91-92; 101-114.

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