• Bruno Almeida

Chart of the Week | The Kunstmann III Chart, 1501-1502, anonymous portuguese


Author: Anonymous Portuguese Date: 1501-02 Country: Portugal Archive: Lost, possibly destroyed Call number: BNF, CPL GE B-1120 (RES) [Copy by O. Progel] Dimensions: 1170 x 870 mm

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The Kunstmann III chart, now presumably lost, was an historically invaluable map that showed the result of early European exploration of the New World and of the African coast in the south Atlantic. It is likely that its construction started before the Cantino planisphere (1502), making it the earliest known Portuguese representation of the southwestern coast of Africa. The Kunstmann III is probably also the earliest known nautical chart showing the locations of places as determined by astronomical observations.

This puzzling chart owes its designation to being the third in an atlas of facsimiles published by Friedrich Kunstmann in 1859. Unfortunately, as is sometimes the case in the history of cartography, this delightful chart has almost certainly been destroyed, having disappeared from the archives of the Bayerischen Armeebibliothek during World War II. Luckily, present-day researchers and map enthusiasts have at their disposal a photograph of the original (published in four sheets, in 1903, by Edward L. Stevenson, originals also lost) and a magnificent coloured copy made by Otto Progel in 1836.


It has been argued that the Kunstmann III was made in several stages between 1501 and sometime after 1505. It integrates long-held geographical knowledge with the data from expeditions occurring in the early 16th century. The drawing of the Mediterranean and the coasts of Europe derive from earlier cartographical knowledge, also depicted in many portolan charts. In contrast, recent studies show that the places on the west coast of Africa, in the northern hemisphere, were situated by means of astronomical readings of the latitude, a method not used in the construction of contemporary charts of the Mediterranean. Notwithstanding, the examination of the southwestern African coast indicates that the representation was not based on astronomical readings of the latitude but made using dead reckoning information collected from Portuguese exploration occurring before 1501.


The chart shows the results of the ill-fated voyages of the Corte Real brothers, Gaspar and Miguel, to Greenland and Newfoundland. The chart’s image of Greenland derives from Gaspar Corte Real’s first journey that took place in 1500. Later, in October 1501, after his second expedition, Gaspar’s ship was lost in Newfoundland. In the following year, Miguel set off to rescue his brother, but likewise became lost, never returning to Portugal. In both cases, other ships participating in the expeditions returned home with new geographical information about the explored regions. Another source for the geographical content of the Kunstmann III was the Coelho-Vespucci voyage of 1501–1502, during which the mariners explored South America, reaching what is now Rio de Janeiro on New Year’s Day of 1502. This expedition was the source for the data of the Brazilian coastline presented in the chart.


Using Stevenson’s photographic record and Progel’s copy, we may see that the Kunstmann III covered Europe, West Africa, the Mediterranean, the Black Sea and the Atlantic with Newfoundland, Greenland, and the Brazilian coast. The chart has a latitude scale drawn in the western Atlantic Ocean in the Northern Hemisphere, starting at the Equinoctial, and going up to 68 degrees north in Greenland. This seemed a sign that the incorporation of latitudes did not extend south of the Equinoctial, which has been confirmed by recent research.

The Kunstmann III shows no flags and depicts a few inland features, such as important rivers, mountain ranges, Bohemia, and Mount Sinai. There are also representations of eastern European cities and of Cairo, albeit poorly rendered. Progel’s coloured copy shows a dark blue Arctic Ocean and an unmistakable Red Sea. The wind roses are drawn in a transitional style, with two different designs that are very similar to those found in other charts, such as the Dijon chart. The placenames on the chart show at least four different handwriting styles.


Despite the previous studies of this beautiful chart, there are several mysteries remaining for future generations of researchers to unveil, such as the reason for the erased compass rose over the coastline of Brazil, and the identity of the enigmatic androgynous figure holding the scale of leagues over the Equinoctial.


Versão Portuguesa


A carta Kunstmann III, presumivelmente desaparecida, era um precioso mapa que mostrava o resultado das primeiras explorações europeias do Novo Mundo e da costa africana no Atlântico sul. É provável que a sua construção tivesse sido iniciada antes da construção do planisfério de Cantino (1502), o que a torna na mais antiga representação portuguesa conhecida da costa sudoeste de África. Que se tenha conhecimento, a Kunstmann III é provavelmente a primeira carta náutica em que a localização de lugares foi determinada por observações astronómicas.

Este intrigante mapa deve a sua designação a ser o terceiro num atlas de fac-símiles publicado por Friedrich Kunstmann em 1859. Infelizmente, como por vezes acontece na história da cartografia, esta elegante carta terá sido destruída, desaparecendo dos arquivos da Bayerischen Armeebibliothek durante a Segunda Guerra Mundial. Afortunadamente, os investigadores e entusiastas da história de mapas têm à disposição uma fotografia do original (publicada em quatro folhas, em 1903, por Edward L. Stevenson, originais perdidos) e uma magnífica cópia colorida feita em 1836 por Otto Progel.


Alguns estudos propuseram que o Kunstmann III foi desenhado, em várias etapas, entre 1501 e algum momento depois de 1505. A carta integra conhecimento geográfico precedente e dados de expedições ocorridas no início do século XVI. O desenho do Mediterrâneo e das costas da Europa deriva de conhecimentos cartográficos anteriores, presentes em muitas cartas portulano. Por outro lado, investigação recente mostra que os locais da costa oeste africana, no hemisfério norte, foram situados com recurso à determinação da latitude por métodos astronómicos, um procedimento que não era utilizado na construção de cartas contemporâneas do Mediterrâneo. Não obstante, o exame da fracção sudoeste da costa africana indica que a representação já não se baseou em leituras de latitude, mas sim em métodos de navegação estimada durante as explorações portuguesas anteriores a 1501.


A carta mostra os resultados das mal-afortunadas viagens dos irmãos Corte Real, Gaspar e Miguel, à Gronelândia e à Terra Nova. A representação da Gronelândia advém dos dados recolhidos na primeira viagem de Gaspar Corte Real, ocorrida em 1500. Mais tarde, em Outubro de 1501, durante a segunda expedição, o navio de Gaspar perdeu-se na Terra Nova. No ano seguinte, Miguel partiu para resgatar o irmão, mas também se perdeu, nunca mais voltando a Portugal. Em ambos os casos, outros navios que faziam parte dessas expedições regressaram a Portugal com novas informações geográficas sobre as regiões exploradas. Outra fonte de novos dados geográficos foi a viagem de Coelho e Vespucci, ocorrida entre 1501 e 1502, durante a qual os marinheiros exploraram a América do Sul, alcançando a zona onde hoje se situa a cidade do Rio de Janeiro, no dia de Ano Novo de 1502. Essa expedição forneceu os dados para a representação cartográfica da costa brasileira.


Recorrendo aos registos fotográficos de Stevenson e à cópia de Progel, podemos ver que a Kunstmann III mostra a Europa, a África Ocidental, o Mediterrâneo, o Mar Negro, e o Atlântico com a Terra Nova, a Gronelândia e a costa brasileira. A carta tem uma escala de latitudes desenhada na zona oeste do Atlântico Norte, começando na equinocial e indo até 68 graus norte, sobre a Gronelândia. Este detalhe era indicador de que a incorporação de latitudes não se estendeu a sul da equinocial, o que veio a ser confirmado em estudos recentes.


Nesta carta não se encontram bandeiras representadas, denotando-se alguns desenhos no interior dos continentes, que incluem rios importantes, cordilheiras montanhosas, a região da Boémia e o Monte Sinai. Assinalam-se também representações muito esquemáticas de algumas cidades do Leste Europeu e da cidade Cairo. A cópia colorida de Progel mostra um oceano Árctico azul escuro e um Mar Vermelho de cor inconfundível. As rosas-dos-ventos são desenhadas num estilo de transição, com dois modelos distintos muito semelhantes aos presentes noutras cartas de navegar, como por exemplo a carta de Dijon. Os nomes dos locais na carta sugerem, pelo menos, quatro caligrafias diferentes.


Apesar dos estudos devotados a esta belíssima carta, subsistem vários mistérios para serem solucionados por futuras gerações de investigadores, tais como o motivo da rasura da rosa-dos-ventos sobre a costa do Brasil e a identidade da enigmática figura andrógena que segura a escala de léguas sobre a equinocial.

Further Reading | Leitura complementar

  • Kunstmann, F., von Spruner, K., & Thomas, G. M. (1859). Atlas zur Entdeckungsgeschichte Amerikas: aus Handschriften der K. Hof- und Staats- Bibliothek der K. Universität und des Hauptconservatoriums der K.B. Armee. Munich: A. Asher & Cie.

  • Cortesão A., & Teixeira da Mota, A. (1960) Portugaliae Monumenta Cartographica, Vol. I, pp. 15-16, Plate 6. Lisboa: Comissão para a Comemoração do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique [facsimile Editions, 1987]

  • McIntosh G. C., & Alves Gaspar, J. (forthcoming) "The Kunstmann III Atlantic Chart: The Oldest Known Chart Incorporating Latitudes", Imago Mundi 73:2 (2021).


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Pietro Vesconte
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Ocean Atlantique
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